Fábrica gaúcha de Instrumentos- A História


Fábrica gaúcha de Instrumentos - A História.
 Finalmente encontrei mais alguns dados para a história dessa fábrica de instrumentos musicais, conversando com o músico Chico Pedroso (74 anos) ele me contou um pouco mais sobre a história que eu estava curioso há algum tempo para saber: porque alguns instrumentos da Fábrica Gaúcha  são tão bons e outros tão fracos? A guitarra com a marca "Veronese" foi feita pela mesma fábrica de Túlio Veronese? Seu Chico conheceu pessoalmente e foi cliente do criador da Fábrica Gaúcha, o luthier Alberto Salmerón.

Segundo algumas informações o luthier provavelmente era paraguaio (não confirmei esta informação ainda), ou Paulista (também não confirmado), pois começou na arte da luteria na década de 30 em São Paulo, e segundo alguns relatos sua primeira oficina se chamava "Lyra do Bráz", também trabalhou segundo relatos do próprio luthier a alguns clientes, em uma fábrica de um italiano em São Paulo (acredito que talvez tenha sido Angelo Del Vecchio, devido ao estilo de fabricação ser muito parecido) e também em Encarnación no Paraguai, e segundo "Seu Chico" o luthier Salmerón atuou em Porto Alegre nas décadas de 50 e 60 na rua Veríssimo Rosa. 

Chico Pedroso

Segundo o músico, Salmerón era um luthier conceituado e que fabricava excelentes instrumentos, e teve a ideia de ampliar os negócios, abrindo assim uma fábrica de instrumentos musicais, o primeiro nome da marca foi “Fábrica Brasil” e em seguida ele trocou o nome para “Fábrica Gaúcha de Instrumentos de Cordas”.

Alguns anos após Salmerón encerrar as atividades de sua fábrica, outro fabricante passou a usar o nome “Fábrica Gaúcha de Instrumentos de Corda” e na etiqueta interna passou a vir o nome de Jacir S. Bungi e o endereço: Rua Veríssimo Rosa,304, Partenon. Depois passou a funcionar na Av. Assis Brasil 2854.


Etiqueta com o endereço da rua Veríssimo Rosa.



Etiqueta com o endereço da Avenida Assis Brasil.


Também segundo Chico Pedroso, os "Irmãos Bungi" assumiram o nome da fábrica de acordeons  Veronese, após a falência em 1967 da fábrica original, (Seu Chico diz que os “Irmãos Bungi” eram parentes de Túlio Veronese) e que a fábrica começou a produzir alguns instrumentos de corda (inclusive algumas guitarras com o nome "Veronese"), mas  não tinham a mesma qualidade dos instrumentos fabricados por Alberto Salmerón ou por Túlio Veronese, eram feitos com madeiras inferiores as usadas anteriormente e a sonoridade era muito fraca.

Essa história ainda está muito nebulosa, pois a Veronese foi a falência em 1967 como já disse, e não há registro na história oficial deles, que  tenham sido fabricados qualquer tipo de instrumentos de corda por lá.
 Parece que alguém, talvez o Sr. Jacir S. Bungi, assumiu o nome “Veronese” e também o nome “Fábrica Gaúcha”, e fabricou alguns instrumentos de corda nas décadas de 60, 70 e 80 ( ainda não sei em que período exato a fábrica existiu).

Esta semana recebi e-mails de dois leitores do blog que me passaram mais algumas informações valiosas e fotos de seus instrumentos, são os senhores Luiz Fernando Maia e seu filho Luiz Maia, agradeço aos dois por terem contribuído com a minha pesquisa e aproveito para publicar aqui o e-mail do Sr. Luiz Fernando, previamente autorizado por ele:

"Encomendei meu violão em 1955 ou 1956, não lembro bem. Durante sua construção visitei diversas vezes a fábrica do Salmerón, no Partenon, acompanhando todas as etapas de fabricação.
  
Lembro que uma das perguntas que o Salmerón me fez foi se usaria cordas de aço ou de nylon, que
respondi prontamente que seriam cordas de nylon (na época, Augustine, abonadas pelo Segóvia).  

Já era minha paixão na época o violão clássico.

Lembro bem da estrutura interna da tampa, com suas nervuras.  A tampa é de pinho, o fundo e as laterais de jacarandá da Bahia.


Por um período em Porto Alegre tive algumas aulas com a figura marcante para mim do José Gomes, que tocava violino no conjunto "Os Gaudérios", mas infelizmente não houve continuidade das aulas, pois estava cursando a Escola de Engenharia. 


O José Gomes morava na subida da rua da praia. O Salmerón dizia que era Paraguaio, mas lembro de ter dito também que era primo do Roberto Salmerón, grande físico Brasileiro nascido em São Paulo, então não tenho muita segurança.

Lembro que na época da construção do meu violão ele estava fazendo um violão para o músico, da noite de Porto Alegre, Ovídio Chaves.  Era um violão especial que, com tantas cordas, ele chamava de guitarpa, pois era
quase uma harpa.


Se eu lembrar mais alguma coisa, faço novo contato.


É para mim um prazer recordar a figura do Salmerón e de sua fábrica.


Abraços.

Luiz F. J. Maia "

Aproveito também para colocar algumas fotos do violão fabricado pelo luthier Salmerón por encomenda para o Sr. Luiz Fernando, enviadas gentilmente pelo filho dele o Sr. Luiz Maia.







 Abaixo fotos do outro violão deles, este fabricado por Jacir S. Bungi.








Hoje, 11/08/2014 recebi de um leitor do blog, o Sr. Paulo José, mais algumas fotos de um curioso violão feito pela Fábrica Gaúcha, ele ganhou o violão de presente de sua avó nos anos 60, é um modelo diferente, que ao invés da boca redonda tradicional tem um corte com um "007", segundo o Sr. Paulo, só foram fabricados 15 exemplares deste modelo, ele ficou sabendo disso porque trabalhou com o filho de Jacir S. Bungi nos anos 80.

Outra curiosidade é que estas fotos revelaram um endereço diferente dos outros dois mais conhecidos da Fábrica Gaúcha, na etiqueta interna do instrumento está escrito: Rua Casemiro de Abreu, 917. Obrigado Sr. Paulo José por sua valiosa contribuição.




Endereço da Rua Casemiro de Abreu, 917















Ainda faltam muitos dados nesta história, se você quiser contestar os fatos aqui descritos ou quiser acrescentar alguns dados a esta história fique a vontade para me enviar um e-mail, eu estou apenas tentando resgatar uma parte da história de nossa luteria.





Aproveito para publicar abaixo a história de Túlio Veronese e da fábrica de acordeons Veronese, retirada do site: http://oriundi.net/site/oriundi.php?menu=noticiasdet&id=4883

A fascinante história do italiano Veronese, o nonno das gaitas
Venerdì - 18/08/2006
Foto : Divulgação

O italiano Veronese que veio para o Brasil, é o pioneiro na fabricação de acordeons na América Latina.
No dia 29 de julho passado, Oriundi divulgou uma matéria com o título El Museo del Acordeón, na casa do imigrante italiano pioneiro, segundo a qual, conforme informações da imprensa da cidade de Buenos Aires, Giovanni Anconetani, nascido em Anconta, teria fundado na Chacarita, bairro da capital Argentina, a primeira e única fábrica de acordeons da América do Sul, em 1918. Giovanni teria sido, então, o pioneiro. Engano.
O verdadeiro pioneiro, conforme comprova o  pesquisador e professor de idioma e cultura italiana, Sergio Rigo, teria se instalado no Rio Grande do Sul, mais precisamente no município de Veranópolis, onde fez a primeira gaita artesanal em 1900, portanto 18 anos antes do seu compatriota que foi morar em Buenos Aires, cuja fábrica, onde hoje funciona um museu, remonta a 1918. Estamos falando de Túlio Veronese, natural de Vicenza, considerado o vovô das gaitas.
Na verdade, Túlio e Giovanni podem ser considerados contemporâneos e, ao trazer à tona mais uma vez a história do vovô das gaitas, longe de Sergio Rigo querer estabelecer uma polêmica ou uma disputa em torno de quem foi o verdadeiro pioneiro. No entanto, fatos são fatos e eles se destacam, acima de tudo, pela riqueza de uma trajetória que tem, como personagem principal, o imigrante italiano. Tanto Giovanni quanto Tulio  deram sua contribuição escrevendo capítulos de um livro onde homens e mulheres, com criatividade, coragem e ousadia, fizeram uma história que repercute até hoje.
Leia, abaixo, o texto de Sergio Rigo sobre Tulio Veronese:
Tulio, nasce em Vicenza, Itália, em 1875. Emigra, com seus pais, para o Brasil, aos dez anos de idade, indo morar no interior de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, na localidade chamada de Quinta Magra. Em decorrência do dom da Família, começa a tocar gaita. Não contente só com tocar gaitas, interessa-se e aprende a consertá-las, também. Constrói pequenas gaitas, ainda morando na Quinta Magra.
Desde cedo demonstra sensibilidade e dom para a música. A harmonia e a leveza de sua alma o levam à paixão pela gaita. Com 25 anos, em 1900, passa a morar em Veranópolis. Faz sua primeira gaita de forma artesanal. Nesse mesmo ano começa a fabricação de gaita de botão em série, com técnicas industriais. Surge a primeira fábrica de gaitas e de acordeões da América. O trabalho em Veranópolis é sempre de forma artesanal. Tem a ajuda do irmão Riciere. Dá início à longa história de amor e dedicação pela música, que contagiou os filhos (Fiorello e Ricardo), levando-os a montarem a Fábrica de Acordeões Irmãos Veronese em Porto Alegre, em 1930. Com o decorrer dos tempos, foi se aperfeiçoando, o que ocasionou a crescente necessidade de elementos habilitados para a confecção de acordeões. As peças utilizadas na fabricação dos acordeões eram todas desenvolvidas pela própria Fábrica e manufaturadas à mão, inclusive, parte da aparelhagem para construção da máquinas de som.
Em 1931, a Irmãos Veronese conquista a Medalha de Ouro na Exposição do Menino Deus, em Porto Alegre. Em 1935, concorrendo com as mais renomadas marcas européias, a Irmãos Veronese conquista a Medalha de Ouro, a Menção Honrosa e o 1º Prêmio na Exposição do Centenário Farroupilha. Ele acompanha os filhos e vai, também, morar em POA, por volta de 1939/40, dando ao trabalho de fabrico das gaitas e dos acordeões um toque de qualidade.
Em 1940, a Fábrica, localizada na Av. São Pedro, esquina com Av. São João, em POA, num barracão velho de madeira, enfrenta o seu primeiro problema internacional: a II Guerra Mundial, que lhe impedia de importar aço e celulóide (folhas que, trabalhadas com acetatos, dava o revestimento na madeira do acordeão). O celulóide, normalmente importada da Alemanha. Foi com muito trabalho e pesquisa que Tulio, com os filhos Fiorello e Ricardo, conseguiram substituir o celulóide por uma tinta especial, à base de cera de abelhas, feita por eles e, assim, a fábrica venceu esse obstáculo.

No texto original da propaganda de Veronese,
a comprovação do pioneirismo.
Em 1945, é feita a compra do imóvel na Barão do Cotegipe, N.º 400 e tem início a nova Fábrica. De 1945 até 1950 a Fábrica conquista mais duas medalhas de ouro em exposições internacionais no Rio de Janeiro. Neste período, é transformada em Sociedade Anônima.
A Fábrica atinge o auge no período de 1955 a 1960, produzindo, em média, 1.200 acordeões por mês, empregando cerca de 800 pessoas. Vendia-os ao mercado nacional, América do Sul e Europa.
Em 1967, a Fábrica de Acordeões Veronese encerra suas atividades, ainda no auge, face à crise financeira no País e outros instrumentos passam a fazer parte do modismo.
Durante toda a sua vida, Tulio Veronese se caracterizou pela simplicidade no agir. Como os grandes homens, sabia ouvir e, assim, afinava as gaitas e os acordeões. Seu ouvido afinado levou os Veronese ao 1º lugar na qualidade dos acordeões. Sem tirar férias, fazia-se presente à Fábrica diariamente, constituindo-se elemento imprescindível no setor de afinação. Afinava-os pelo processo eletrônico: A-440 ciclos por segundo.
Os acordeões Veronese, em sua construção, eram o mais prático e simplificado entre todas as marcas de acordeões do Universo. O acordeão, modelo PRESIDENT, é constituído de 3.509 peças, por exemplo. Primando pela qualidade, na elaboração das palhetas de som, empregava o melhor aço conhecido do mundo. Na linhagem das palhetas de som, usava o processo a frio – o mais aperfeiçoado existente – mantendo, assim, inalteráveis as propriedades físicas e químicas do aço. Face à inteligência e criatividade de Tulio Veronese, a Fábrica era a mais auto-suficiente do mundo.
Foi esta trajetória, permeada de vitórias, de simplicidade e de crença na cultura, que levou o Centro Cultural de Veranópolis a voltar os olhos ao passado e resgatar a memória do pioneiro no fabrico de gaitas e de acordeões da América, que, neste ano, comemora o centenário daquela iniciativa.
Tulio Veronese foi o precursor na fabricação de gaitas e de acordeões na América. É o resgate da memória e da história deste Ilustre veranense de coração, que, com sensibilidade e iniciativa, muito contribuiu para o desenvolvimento da cultura em nosso País.
Na homenagem, em 19-03-00, Veranópolis fez a entrega da placa comemorativa à Senhora Lucy Veronese Arpini representante da Família Veronese, como forma de demonstrar o carinho e o orgulho do povo veranense ao vovô das gaitas, Senhor Tulio Veronese.
Foto Divulgação

Tulio Veronese: simplicidade, sensibilidade e
amor à cultura.
O Centro Cultural de Veranópolis organizou uma exposição de gaitas e de acordeões Veronese, na Casa da Cultura. A mesma, ficou exposta de 19-03-2000 a 26-03-2000, sempre no horário das 14 às 21 horas.
Na sua simplicidade, dava o melhor de si e introjetava nos instrumentos. Os grandes homens sabem ouvir e, assim, Tulio Veronese afinava as gaitas e os acordeões. O ouvido afinado levou os Veronese ao 1º lugar e os olhos brilharem ante o brilho do ouro das medalhas, como em 1935.
Neste ato, fica o registro da homenagem do Centro Cultural de Veranópolis ao pioneiro no fabrico de gaitas da América, que neste ano comemora o centenário daquela iniciativa.
A harmonia de sua alma, fê-lo despertar o gosto pela música e a tocar gaita. Aos 25 anos, deu mais um passo: fez a primeira gaita de forma artesanal. E vê, 30 anos depois, seus filhos Fiorello e Ricardo montarem a Fábrica de Acordeões Veronese em Porto Alegre, onde vai dar o toque de qualidade.
O capitel
O Tulio Veronese foi vender gaitas em Antônio Prado, como fazia seguidamente: ia a cavalo, colocando uma gaita de cada lado e ele montado. Na volta, onde fica o Capitel, o cavalo se assustou e caiu com a traseira fora da estrada (é uma ribanceira). O Tulio chamou por Santo Antônio e se salvaram ao encontrar uma árvore de escora. Tulio comprou a estátua e deu ao Moro Brunetto para guardar até fazer o Capitel. Foram deixando e a casa pegou fogo. A estátua foi dos poucos pertences que não se queimaram. Entre 2 a 3 anos após o incêndio, construíram o Capitel. (informações prestadas por Darlei Piccoli, sobrinho de Tulio e pela  Sra. Lucy Veronese Arpini). Por Sergio Rigo

Redação ORIUNDI



4 comentários:

  1. Eu tenho uma guitarra veronese aqui em casa concerteza ela é de antes de 1980 pois cresci vendo essa guitarra na casa do meu tio... veio para minhas mãos em 1985 e já era velha!
    Anuar Mello

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  2. Olá Anuar, sua guitarra pode ser dos anos 70, seria interessante se você conseguisse saber em que ano seu tio a comprou ou se a sua guitarra possui algum selo com mais informações do fabricante.

    Um abraço!

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  3. Oi, Joelson
    Meu pai tem um instrumento que ele encomendou na década de 50 com o próprio Salmeron - que segundo ele, era paraguaio. Vou lhe enviar algumas fotos dos instrumentos. Eu tb tenho um violão dessa fábrica - não tão antigo...

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    1. Que boa informação Maia, se for possível envie as fotos para o meu e-mail ok? joelsonluthier@gmail.com

      Obrigado pela visita ao blog, um abraço!

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ALGUMAS RESTAURAÇÕES

ALGUMAS RESTAURAÇÕES
Este é um caso muito comum de quebra da paleta, normalmente causado por queda, se isso acontecer com seu instrumento, não se preocupe, qualquer tipo de quebra na paleta tem conserto! Portanto não se desespere e não tente em hipótese alguma colar, pois uma colagem mal feita nesta parte do instrumento, pode descolar quando você afinar as cordas, podendo causar algum tipo de acidente, esse tipo de serviço deve ser feito apenas por um profissional gabaritado e com experiência para avaliar que tipo de serviço deverá ser feito no instrumento, pois cada tipo de quebra na paleta deve ter um procedimento diferente, algumas vezes até com a substituição da mesma.

Esta foi uma restauração que eu gostei bastante de realizar, me deu muito trabalho, porque resolvi manter a originalidade do contrabaixo devido ao bom desempenho que tinham seus captadores, restaurei todas as peças,sem trocá-las (ponte,captadores,tarraxas, etc.). De peças novas coloquei apenas o osso da pestana (nut) e os botões dos potenciômetros (knobs) e claro, as cordas.

Este é um caso típico da pessoa que resolve "consertar" o seu instrumento por conta própria, neste caso o dono colou o violão com uma cola totalmente inadequada, passados alguns dias da "colagem",o cavalete começou a soltar novamente, e o que ele fez? Encheu o violão de parafusos, e para a surpresa dele o problema persistiu, o cavalete continuou soltando! Quando chegou em minha oficina o instrumento já estava terrivelmente prejudicado. Resultado: o que era pra ser um serviço de colagem simples, se transformou em um serviço bem mais complicado. Por isso, sempre que aparecer um problema em seu instrumento, o melhor a fazer é levá-lo para a avaliação de um profissional.

Este violão estava com problemas graves no seu acabamento, foi necessário retirar completamente o acabamento antigo e envernizar novamente o instrumento.

Este problema ocorre mais em violões baratos, por não haver um tratamento correto da madeira para receber a tinta, a pintura resseca e acaba se desprendendo.

Mais um caso em que o dono tentou "melhorar" a aparência do instrumento, não satisfeito com o aspecto "envelhecido" do violino, resolveu lixar o instrumento, o resultado foi esse da primeira foto. Usou uma lixa inadequada, que causou arranhões profundos no instrumento. Como era um violino relativamente antigo, resolvi aplicar o verniz "a boneca" (polimento francês), uma técnica de acabamento muito usada pelos luthiers mais antigos. Usei este tipo de envernização para tentar conseguir um aspecto parecido com o original.

Neste violão faltava apenas um pequeno pedaço na parte inferior direita da paleta, ficou imperceptível após a restauração.

Este violão soltou o cavalete, após o seu proprietário substituir as cordas de nylon, por cordas de aço. Violões projetados para cordas de nylon, NÃO podem receber cordas de aço diretamente no cavalete. Para colocar cordas de aço em um violão projetado para cordas de nylon, é preciso colocar uma peça chamada cordal (Esta peça que aparece na foto da direita). Tarraxas de pinos grossos indicam que o violão deve receber cordas de nylon, tarraxas de pinos finos indicam que o violão deve receber cordas de aço. Fique atento.

A paleta (headstock) do contrabaixo estava em péssimas condições devido a uma tentativa de acabamento mal feita.

COMO INSTALAR UM CAPTADOR DE CONTATO.

COMO INSTALAR UM CAPTADOR DE CONTATO.

Arquivo pessoal.

Dicas

Neste espaço publicarei algumas dicas que acho necessárias e úteis para músicos e iniciantes na arte da luteria.

Em um pouco mais de 10 anos como luthier, reparei que muitos instrumentos chegaram até minha oficina por tentativas de conserto equivocadas dos próprios donos.

Espero que este espaço possa contribuir de maneira positiva para todos.



Algumas coisas que você não deve fazer com seu instrumento.


Algumas pessoas não tem muita noção do que fazer quando algum acidente acontece com seu instrumento, principalmente quando o assunto é colagem de algumas partes como o cavalete ou algum tipo de descolamento do tampo. Quando nós temos um problema com o automóvel chamamos o mecânico, quando o computador para de funcionar chamamos um técnico, se ficamos gripados vamos ao médico... mas e se o seu instrumento musical apresenta um problema? Normalmente no Brasil as pessoas não tem o costume de levarem seus instrumentos ao luthier, muitas nem sabem que existem técnicos em instrumentos musicais, então elas decidem resolver sozinhas sem nenhum conhecimento, ao invés de levarem ao luthier, e aí começam os problemas.


As dicas abaixo são baseadas em vários casos de instrumentos que chegaram em minha oficina, são para evitar que seu instrumento sofra um dano desnecessário causado por você mesmo.


Não use colas instantâneas do tipo "superbonder" para colar qualquer parte da madeira do seu instrumento, esse tipo de cola não penetra na madeira e cria uma película dura, que impede que outra cola penetre, além de não colar, prejudica o serviço certo, portanto não use esse tipo de cola, e na verdade não use nenhum outro tipo se você não entende do assunto, na maioria das vezes você só vai prejudicar o trabalho do luthier, e ainda fará com que o serviço fique mais caro, colagens muitas vezes dependem mais da maneira que se faz a prensagem e da preparação da madeira, do que propriamente da cola.


Não cole adesivos em seu instrumento se ele tem o aspecto natural da madeira, a não ser que você queira esconder algum defeito, os adesivos depois de algum tempo que o retiramos, deixam a madeira no lugar em que estavam, de outra cor, isso acontece porque a luminosidade do dia a dia acaba fazendo um processo de escurecimento da madeira, colocando o adesivo, a madeira que esta embaixo dele, não recebe a mesma claridade que as outras partes, então ela fica mais clara, e marca o instrumento profundamente, deixando um aspecto feio. Também não risque o instrumento com caneta, vai acontecer o mesmo.


Não coloque o instrumento perto de fontes de calor, o calor é responsável por fazer a cola usada no instrumento se soltar, não deixe o instrumento em cima de guarda roupas, ou dentro de automóveis, o calor dentro de um carro é exagerado, o que vai fatalmente fazer seu instrumento soltar partes como o cavalete, ou empenar o braço.


Não passe produtos abrasivos no seu instrumento, alguns produtos de limpeza podem deteriorar o verniz do instrumento, prefira sempre um pano úmido (pano úmido não é pano molhado) para limpar e depois passe um pano seco para dar o brilho.


Não mexa no circuito elétrico de seu instrumento, você não é técnico em eletrônica e nem luthier, provavelmente só vai conseguir agravar mais o problema que quer solucionar, procure um luthier de sua confiança e peça um orçamento, muitas vezes um circuito para de funcionar apenas porque o fio do jack quebrou, ou algum fio do próprio cabo que conecta a caixa a guitarra, quando você abre um circuito sem entender pode puxar os fios internos finíssimos dos captadores e quebra-los sem perceber, e aí sim você terá um grave problema.


Não tente trocar os trastes sozinho, para retirar e colocar trastes existem técnicas especiais, você vai acabar abrindo demais a vala do traste, com tentativas frustradas, e vai prejudicar a colocação certa pelo luthier, isso é um serviço para profissionais, uma troca mal feita no meio da escala por exemplo, pode fazer deixar de soar um monte de notas anteriores, você pode cortar seus dedos nas arestas afiadas de um traste mal colocado.


Não coloque parafusos no cavalete do seu instrumento, a oxidação nos parafusos, acaba ajudando na proliferação de um fungo malígno para a cola do instrumento, em pouco tempo não só seu cavalete vai soltar novamente, como todas as partes do instrumento também, em alguns casos graves de ataque desses fungos, o instrumento simplesmente desmonta. Os parafusos colocados por fábricas e luthiers em algumas partes do instrumento, são de material especial, não são parafusos comuns.


Não tente pintar com tinta vinílica seu instrumento, tinta abafa o som, e dependendo da tinta ela vai penetrar e empenar seu instrumento. É necessário uma preparação da madeira para dar a tinta, dar a tinta na madeira sem preparação é pedir para ficar sem instrumento.


Não fique mexendo nas tarraxas sem necessidade, desafinar o instrumento após tocar é um mito, a madeira do braço precisa estabilizar com a tensão das cordas, se você a desafinar o instrumento todos os dias, a madeira nunca vai estabilizar e você sempre terá um instrumento com a afinação comprometida. Desafinar o instrumento só vale para quando você for ficar sem tocar um período grande, de três meses ou mais.


Não force tarraxas com alicate, provavelmente elas irão quebrar, quando as tarraxas começam a emperrar, você pode retirá-las e pingar uma gota de parafina nas engrenagens, graxa também serve, mas pode manchar o instrumento. Se as tarraxas são de pino grosso, você pode passar um pouco de sabão na parte plástica que pega na madeira, isso fará com que ela deslize melhor.


Se mesmo depois destas dicas você resolver mexer em seu instrumento, se informe bem antes, estude um pouco, isso pode evitar problemas graves.



Como eliminar alguns ruídos em guitarras e contrabaixos elétricos.


Algumas vezes as guitarras e os contrabaixos apresentam um ruído incômodo, alguns estalos aparecem, o som do instrumento pode ficar indo e voltando, e sempre que você esbarra no cabo próximo ao jack, o som do instrumento pode aparecer, desaparecer, ou aumentar os ruídos. Se isto estiver acontecendo com seu instrumento, um procedimento simples pode resolver o problema, que provavelmente está sendo causado por oxidação interna no jack. Acompanhe o passo a passo no tutorial abaixo.







































































Se o barulho persistir depois deste procedimento o seu jack pode estar desgastado, ou pode haver algum fio de ligação do jack se quebrando ou mal soldado.

No caso de desgaste será necessário a substituição do jack, nos casos de fio quebrando ou soldagem mal feita, você terá que encontrar o lugar quebrado e refazer a soldagem.



Colocando as cordas de maneira correta nas tarraxas do violão.


Por incrível que possa parecer existem muitas pessoas que não tem a mínima noção de como se coloca uma corda em um violão, inclusive algumas que tocam a algum tempo, a maioria costumar dar um monte de nós na corda, procedimento totalmente desnecessário, ou apenas enrolar a corda na tarraxa, o que normalmente provoca desafinação.

O procedimento de colocação que vou ensinar neste tutorial não é a única maneira de se colocar as cordas corretamente, mas, é a que eu considero mais fácil e mais eficiente. Depois de fazer a laçada como é ensinado nas fotos, evite deixar muita corda para enrolar, isso vai ajudar até no ganho de tempo, pois muitas voltas nas tarraxas, além de ser um serviço enfadonho de se fazer, costuma desgastar desnecessáriamente as tarraxas do instrumento.

Deixando um comprimento de corda que dê para dar umas duas voltas estará de bom tamanho.


















































































O Polimento Francês


O polimento francês é o acabamento tradicionalmente usado em violões clássicos e violinos. Se este acabamento for bem aplicado, ele fica com aparência muito atraente e com uma espantosa profundidade, a técnica de aplicação do polimento francês é usada há muitos anos por luthiers em todo o mundo, diferente dos vernizes sintéticos modernos o polimento francês é um acabamento menos resistente, ele pode manchar com água, álcool e produtos como cera automotiva e lustra-móveis, mas tem a vantagem de ser fácil de reparar, quando esses pequenos incidentes acontecem.

Atualmente poucos luthiers usam este acabamento em seus instrumentos, pelo fato de sua técnica de aplicação ser mais demorada que os vernizes modernos, mas o polimento francês possui uma beleza clássica que o faz ser preferido por muitas pessoas.

Uma outra vantagem desse acabamento é que ele não emudece o som do instrumento, conservando as características sonoras da madeira.


Captadores magnéticos


Todo captador de guitarra elétrica é um “transdutor”, transdutor é o nome que damos a qualquer dispositivo eletrônico ou eletromagnético usado para converter todas as formas de energia física em energia elétrica.

Na guitarra elétrica ele converte a energia da vibração das cordas em impulsos elétricos de corrente alternada, que alimentam o amplificador, que por sua vez multiplica a intensidade desses impulsos e os passa a um ou mais alto-falantes, que os transforma em ondas sonoras.

As guitarras elétricas possuem normalmente captadores magnéticos, a maioria desses captadores tem o imã de alnico, o alnico é uma liga feita de alumínio,níquel e cobalto.

A forma do imã varia de acordo com o projeto do captador, mas basicamente os captadores magnéticos de guitarra são feitos da mesma forma: um imã de alnico enrolado por uma bobina de cobre esmaltado.

A bobina de cobre possuía originalmente 8.350 espiras, mas hoje os captadores possuem 7.600 espiras.










Evitando grandes problemas


Ao perceber o aparecimento de rachaduras ou quando observar que a emenda entre braço e caixa está descolando, ou a junção entre o cavalete e o tampo, ou ainda rachaduras ou descolamento na paleta (lugar onde se prendem as tarraxas) afrouxe imediatamente as cordas do instrumento para aliviar a tensão delas sobre a emenda, insistir em tocar o instrumento nessas condições, vai acabar gerando grandes torções, empenamentos, descolamentos com perda de pedaços do tampo (no caso do cavalete), situações que podem prejudicar e muito seu instrumento, até para a realização de um conserto.


Para prevenir a descolagem do cavalete, você pode usar um cordal (afirmador) ele vai reduzir a tensão direta no cavalete, isso, na maioria dos casos, evita que ele se solte, mas atenção, se o instrumento não for bem construído, a tensão pode empurrar para baixo o tampo, causando uma depressão e gerando um defeito ainda pior que o desprendimento do cavalete.


Violão com cordal .


Cavalete descolando, junção entre braço e caixa acústica soltando, tampo solto na parte superior, paleta rachada ou descolando, todos esses defeitos causam problemas de afinação, portanto é sempre bom verificar em seu instrumento se existe algum indício desses defeitos, quanto mais cedo são descobertos, menos danos o seu instrumento sofrerá.



Regulagem de oitavas, o que é?


Muitos músicos levam seus instrumentos para que eu regule as oitavas, mas eu sou da opinião que todos os músicos deveriam saber fazer esse serviço em seus instrumentos, por vários motivos, o principal é o de não tocar o instrumento desafinado em shows ou estúdios de gravação, o que ocorre com frequência infelizmente.

Regular as oitavas significa regular o instrumento aumentando ou diminuindo o seu comprimento de escala, para que ele tenha todas as notas em perfeita afinação, por exemplo, você toca um acorde de sol simples na terceira casa e ele soa afinado, e depois, você toca o mesmo acorde de sol com pestana no décimo traste, o som tem que ser igualmente afinado.

Para ter certeza que seu instrumento está corretamente afinado, seja ele um contrabaixo um violão ou uma guitarra é simples: é só afinar todas as cordas do instrumento pelo diapasão ou afinador eletrônico.

Depois que tiver certeza que o instrumento esta afinado, você toca primeiro A NOTA do décimo segundo traste. Em seguida, toque o HARMÔNICO do décimo segundo traste. Se as duas notas tiverem exatamente a mesma altura, a afinação da corda está correta. Mas, se a altura da nota tocada for maior do que a do harmônico, o comprimento de escala da corda é pequeno e o carrinho ou rastilho deve ser afastado da pestana, para aumentar o comprimento. Se a altura da nota for mais baixa do que a do harmônico, o comprimento de escala é grande, e os carrinhos da ponte (ou rastilho, no caso do violão) devem ser aproximados, para reduzir a distância.

RESUMINDO: se a nota tocada for mais alta que o harmônico da décima segunda casa, você deve aumentar o comprimento de escala.

Se a nota tocada for mais baixa que o harmônico da décima segunda casa, você deve reduzir o comprimento de escala.

Faça essa comparação em cada uma das cordas do seu instrumento.



Sobre os tirantes


Hoje em dia muitos instrumentos saem de fábrica com tirante ajustável, mas infelizmente muitos desses instrumentos acabam sendo produzidos com defeitos de torção e empenação, fazendo com que os tirantes fiquem inoperantes.

Os tirantes ajustáveis servem apenas para corrigir pequenas distorções no arqueamento do braço, deve-se ter muito cuidado ao manusear o tirante, o tirante não pode corrigir empenamentos exagerados ou grandes distorções, ajustar o tirante de maneira errada pode estragar o braço do instrumento.

O ideal é que o tirante seja girado apenas um oitavo de volta cada vez que você for regulá-lo. Gira-se um oitavo de volta, mede-se a concavidade, se ainda não estiver regulado, gira-se a porca mais um oitavo de volta, mede-se. O certo é proceder assim até chegar na regulagem que se quer. Isso evita, muitas vezes, erros de regulagem.















Trastejo


Quando um traste está mais alto que os outros, em algum ponto da escala, as cordas podem bater contra ele quando você tocar o instrumento causando trastejamento (um som chato que faz a nota soar como se estivesse zumbindo).

Para descobrir qual traste ou trastes estão causando o trastejamento é só tocar nota por nota subindo a escala.

Quando você tocar uma nota de encontro a um traste e ela trastejar, saiba que o traste seguinte é o que está causando o trastejamento.

Se um traste está muito acima da linha dos outros, as cordas vibram ao seu encontro quando notas são tocadas em trastes anteriores.






Cordas


Alguns luthiers aconselham a troca periódica das cordas porque elas perdem elasticidade com o passar do tempo, o que provoca uma redução na sua qualidade tonal, e, as notas, soam com falta de riqueza harmônica, dificultando a afinação do instrumento, além de deixar o som sem vida.

Uma técnica que ajuda a retirar a sujeira presa nos enrolamentos é “estalar” as cordas. Para isso, basta que você afine o instrumento pelo diapasão no tom certo, logo depois, puxe as cordas até três centímetros do braço, preferencialmente na décima segunda casa, uma de cada vez, puxando-as e deixando-as estalar contra a escala, mas faça isso com cuidado, respeite a distância mencionada (3 cm) para não quebrar a corda.


Puxando a corda.









Soltando a corda



Arquivo pessoal.

Arquivo pessoal.