Fábrica gaúcha de Instrumentos- A História


Fábrica gaúcha de Instrumentos - A História.
 Finalmente encontrei mais alguns dados para a história dessa fábrica de instrumentos musicais, conversando com o músico Chico Pedroso (74 anos) ele me contou um pouco mais sobre a história que eu estava curioso há algum tempo para saber: porque alguns instrumentos da Fábrica Gaúcha  são tão bons e outros tão fracos? A guitarra com a marca "Veronese" foi feita pela mesma fábrica de Túlio Veronese? Seu Chico conheceu pessoalmente e foi cliente do criador da Fábrica Gaúcha, o luthier Alberto Salmerón.

Segundo algumas informações o luthier provavelmente era paraguaio (não confirmei esta informação ainda), ou Paulista (também não confirmado), pois começou na arte da luteria na década de 30 em São Paulo, e segundo alguns relatos sua primeira oficina se chamava "Lyra do Bráz", também trabalhou segundo relatos do próprio luthier a alguns clientes, em uma fábrica de um italiano em São Paulo (acredito que talvez tenha sido Angelo Del Vecchio, devido ao estilo de fabricação ser muito parecido) e também em Encarnación no Paraguai, e segundo "Seu Chico" o luthier Salmerón atuou em Porto Alegre nas décadas de 50 e 60 na rua Veríssimo Rosa. 

Chico Pedroso

Segundo o músico, Salmerón era um luthier conceituado e que fabricava excelentes instrumentos, e teve a ideia de ampliar os negócios, abrindo assim uma fábrica de instrumentos musicais, o primeiro nome da marca foi “Fábrica Brasil” e em seguida ele trocou o nome para “Fábrica Gaúcha de Instrumentos de Cordas”.

Alguns anos após Salmerón encerrar as atividades de sua fábrica, outro fabricante passou a usar o nome “Fábrica Gaúcha de Instrumentos de Corda” e na etiqueta interna passou a vir o nome de Jacir S. Bungi e o endereço: Rua Veríssimo Rosa,304, Partenon. Depois passou a funcionar na Av. Assis Brasil 2854.


Etiqueta com o endereço da rua Veríssimo Rosa.



Etiqueta com o endereço da Avenida Assis Brasil.


Também segundo Chico Pedroso, os "Irmãos Bungi" assumiram o nome da fábrica de acordeons  Veronese, após a falência em 1967 da fábrica original, (Seu Chico diz que os “Irmãos Bungi” eram parentes de Túlio Veronese) e que a fábrica começou a produzir alguns instrumentos de corda (inclusive algumas guitarras com o nome "Veronese"), mas  não tinham a mesma qualidade dos instrumentos fabricados por Alberto Salmerón ou por Túlio Veronese, eram feitos com madeiras inferiores as usadas anteriormente e a sonoridade era muito fraca.

Essa história ainda está muito nebulosa, pois a Veronese foi a falência em 1967 como já disse, e não há registro na história oficial deles, que  tenham sido fabricados qualquer tipo de instrumentos de corda por lá.
 Parece que alguém, talvez o Sr. Jacir S. Bungi, assumiu o nome “Veronese” e também o nome “Fábrica Gaúcha”, e fabricou alguns instrumentos de corda nas décadas de 60, 70 e 80 ( ainda não sei em que período exato a fábrica existiu).

Esta semana recebi e-mails de dois leitores do blog que me passaram mais algumas informações valiosas e fotos de seus instrumentos, são os senhores Luiz Fernando Maia e seu filho Luiz Maia, agradeço aos dois por terem contribuído com a minha pesquisa e aproveito para publicar aqui o e-mail do Sr. Luiz Fernando, previamente autorizado por ele:

"Encomendei meu violão em 1955 ou 1956, não lembro bem. Durante sua construção visitei diversas vezes a fábrica do Salmerón, no Partenon, acompanhando todas as etapas de fabricação.
  
Lembro que uma das perguntas que o Salmerón me fez foi se usaria cordas de aço ou de nylon, que
respondi prontamente que seriam cordas de nylon (na época, Augustine, abonadas pelo Segóvia).  

Já era minha paixão na época o violão clássico.

Lembro bem da estrutura interna da tampa, com suas nervuras.  A tampa é de pinho, o fundo e as laterais de jacarandá da Bahia.


Por um período em Porto Alegre tive algumas aulas com a figura marcante para mim do José Gomes, que tocava violino no conjunto "Os Gaudérios", mas infelizmente não houve continuidade das aulas, pois estava cursando a Escola de Engenharia. 


O José Gomes morava na subida da rua da praia. O Salmerón dizia que era Paraguaio, mas lembro de ter dito também que era primo do Roberto Salmerón, grande físico Brasileiro nascido em São Paulo, então não tenho muita segurança.

Lembro que na época da construção do meu violão ele estava fazendo um violão para o músico, da noite de Porto Alegre, Ovídio Chaves.  Era um violão especial que, com tantas cordas, ele chamava de guitarpa, pois era
quase uma harpa.


Se eu lembrar mais alguma coisa, faço novo contato.


É para mim um prazer recordar a figura do Salmerón e de sua fábrica.


Abraços.

Luiz F. J. Maia "

Aproveito também para colocar algumas fotos do violão fabricado pelo luthier Salmerón por encomenda para o Sr. Luiz Fernando, enviadas gentilmente pelo filho dele o Sr. Luiz Maia.







 Abaixo fotos do outro violão deles, este fabricado por Jacir S. Bungi.








Hoje, 11/08/2014 recebi de um leitor do blog, o Sr. Paulo José, mais algumas fotos de um curioso violão feito pela Fábrica Gaúcha, ele ganhou o violão de presente de sua avó nos anos 60, é um modelo diferente, que ao invés da boca redonda tradicional tem um corte com um "007", segundo o Sr. Paulo, só foram fabricados 15 exemplares deste modelo, ele ficou sabendo disso porque trabalhou com o filho de Jacir S. Bungi nos anos 80.

Outra curiosidade é que estas fotos revelaram um endereço diferente dos outros dois mais conhecidos da Fábrica Gaúcha, na etiqueta interna do instrumento está escrito: Rua Casemiro de Abreu, 917. Obrigado Sr. Paulo José por sua valiosa contribuição.




Endereço da Rua Casemiro de Abreu, 917















Ainda faltam muitos dados nesta história, se você quiser contestar os fatos aqui descritos ou quiser acrescentar alguns dados a esta história fique a vontade para me enviar um e-mail, eu estou apenas tentando resgatar uma parte da história de nossa luteria.





Aproveito para publicar abaixo a história de Túlio Veronese e da fábrica de acordeons Veronese, retirada do site: http://oriundi.net/site/oriundi.php?menu=noticiasdet&id=4883

A fascinante história do italiano Veronese, o nonno das gaitas
Venerdì - 18/08/2006
Foto : Divulgação

O italiano Veronese que veio para o Brasil, é o pioneiro na fabricação de acordeons na América Latina.
No dia 29 de julho passado, Oriundi divulgou uma matéria com o título El Museo del Acordeón, na casa do imigrante italiano pioneiro, segundo a qual, conforme informações da imprensa da cidade de Buenos Aires, Giovanni Anconetani, nascido em Anconta, teria fundado na Chacarita, bairro da capital Argentina, a primeira e única fábrica de acordeons da América do Sul, em 1918. Giovanni teria sido, então, o pioneiro. Engano.
O verdadeiro pioneiro, conforme comprova o  pesquisador e professor de idioma e cultura italiana, Sergio Rigo, teria se instalado no Rio Grande do Sul, mais precisamente no município de Veranópolis, onde fez a primeira gaita artesanal em 1900, portanto 18 anos antes do seu compatriota que foi morar em Buenos Aires, cuja fábrica, onde hoje funciona um museu, remonta a 1918. Estamos falando de Túlio Veronese, natural de Vicenza, considerado o vovô das gaitas.
Na verdade, Túlio e Giovanni podem ser considerados contemporâneos e, ao trazer à tona mais uma vez a história do vovô das gaitas, longe de Sergio Rigo querer estabelecer uma polêmica ou uma disputa em torno de quem foi o verdadeiro pioneiro. No entanto, fatos são fatos e eles se destacam, acima de tudo, pela riqueza de uma trajetória que tem, como personagem principal, o imigrante italiano. Tanto Giovanni quanto Tulio  deram sua contribuição escrevendo capítulos de um livro onde homens e mulheres, com criatividade, coragem e ousadia, fizeram uma história que repercute até hoje.
Leia, abaixo, o texto de Sergio Rigo sobre Tulio Veronese:
Tulio, nasce em Vicenza, Itália, em 1875. Emigra, com seus pais, para o Brasil, aos dez anos de idade, indo morar no interior de Alfredo Chaves, hoje Veranópolis, na localidade chamada de Quinta Magra. Em decorrência do dom da Família, começa a tocar gaita. Não contente só com tocar gaitas, interessa-se e aprende a consertá-las, também. Constrói pequenas gaitas, ainda morando na Quinta Magra.
Desde cedo demonstra sensibilidade e dom para a música. A harmonia e a leveza de sua alma o levam à paixão pela gaita. Com 25 anos, em 1900, passa a morar em Veranópolis. Faz sua primeira gaita de forma artesanal. Nesse mesmo ano começa a fabricação de gaita de botão em série, com técnicas industriais. Surge a primeira fábrica de gaitas e de acordeões da América. O trabalho em Veranópolis é sempre de forma artesanal. Tem a ajuda do irmão Riciere. Dá início à longa história de amor e dedicação pela música, que contagiou os filhos (Fiorello e Ricardo), levando-os a montarem a Fábrica de Acordeões Irmãos Veronese em Porto Alegre, em 1930. Com o decorrer dos tempos, foi se aperfeiçoando, o que ocasionou a crescente necessidade de elementos habilitados para a confecção de acordeões. As peças utilizadas na fabricação dos acordeões eram todas desenvolvidas pela própria Fábrica e manufaturadas à mão, inclusive, parte da aparelhagem para construção da máquinas de som.
Em 1931, a Irmãos Veronese conquista a Medalha de Ouro na Exposição do Menino Deus, em Porto Alegre. Em 1935, concorrendo com as mais renomadas marcas européias, a Irmãos Veronese conquista a Medalha de Ouro, a Menção Honrosa e o 1º Prêmio na Exposição do Centenário Farroupilha. Ele acompanha os filhos e vai, também, morar em POA, por volta de 1939/40, dando ao trabalho de fabrico das gaitas e dos acordeões um toque de qualidade.
Em 1940, a Fábrica, localizada na Av. São Pedro, esquina com Av. São João, em POA, num barracão velho de madeira, enfrenta o seu primeiro problema internacional: a II Guerra Mundial, que lhe impedia de importar aço e celulóide (folhas que, trabalhadas com acetatos, dava o revestimento na madeira do acordeão). O celulóide, normalmente importada da Alemanha. Foi com muito trabalho e pesquisa que Tulio, com os filhos Fiorello e Ricardo, conseguiram substituir o celulóide por uma tinta especial, à base de cera de abelhas, feita por eles e, assim, a fábrica venceu esse obstáculo.

No texto original da propaganda de Veronese,
a comprovação do pioneirismo.
Em 1945, é feita a compra do imóvel na Barão do Cotegipe, N.º 400 e tem início a nova Fábrica. De 1945 até 1950 a Fábrica conquista mais duas medalhas de ouro em exposições internacionais no Rio de Janeiro. Neste período, é transformada em Sociedade Anônima.
A Fábrica atinge o auge no período de 1955 a 1960, produzindo, em média, 1.200 acordeões por mês, empregando cerca de 800 pessoas. Vendia-os ao mercado nacional, América do Sul e Europa.
Em 1967, a Fábrica de Acordeões Veronese encerra suas atividades, ainda no auge, face à crise financeira no País e outros instrumentos passam a fazer parte do modismo.
Durante toda a sua vida, Tulio Veronese se caracterizou pela simplicidade no agir. Como os grandes homens, sabia ouvir e, assim, afinava as gaitas e os acordeões. Seu ouvido afinado levou os Veronese ao 1º lugar na qualidade dos acordeões. Sem tirar férias, fazia-se presente à Fábrica diariamente, constituindo-se elemento imprescindível no setor de afinação. Afinava-os pelo processo eletrônico: A-440 ciclos por segundo.
Os acordeões Veronese, em sua construção, eram o mais prático e simplificado entre todas as marcas de acordeões do Universo. O acordeão, modelo PRESIDENT, é constituído de 3.509 peças, por exemplo. Primando pela qualidade, na elaboração das palhetas de som, empregava o melhor aço conhecido do mundo. Na linhagem das palhetas de som, usava o processo a frio – o mais aperfeiçoado existente – mantendo, assim, inalteráveis as propriedades físicas e químicas do aço. Face à inteligência e criatividade de Tulio Veronese, a Fábrica era a mais auto-suficiente do mundo.
Foi esta trajetória, permeada de vitórias, de simplicidade e de crença na cultura, que levou o Centro Cultural de Veranópolis a voltar os olhos ao passado e resgatar a memória do pioneiro no fabrico de gaitas e de acordeões da América, que, neste ano, comemora o centenário daquela iniciativa.
Tulio Veronese foi o precursor na fabricação de gaitas e de acordeões na América. É o resgate da memória e da história deste Ilustre veranense de coração, que, com sensibilidade e iniciativa, muito contribuiu para o desenvolvimento da cultura em nosso País.
Na homenagem, em 19-03-00, Veranópolis fez a entrega da placa comemorativa à Senhora Lucy Veronese Arpini representante da Família Veronese, como forma de demonstrar o carinho e o orgulho do povo veranense ao vovô das gaitas, Senhor Tulio Veronese.
Foto Divulgação

Tulio Veronese: simplicidade, sensibilidade e
amor à cultura.
O Centro Cultural de Veranópolis organizou uma exposição de gaitas e de acordeões Veronese, na Casa da Cultura. A mesma, ficou exposta de 19-03-2000 a 26-03-2000, sempre no horário das 14 às 21 horas.
Na sua simplicidade, dava o melhor de si e introjetava nos instrumentos. Os grandes homens sabem ouvir e, assim, Tulio Veronese afinava as gaitas e os acordeões. O ouvido afinado levou os Veronese ao 1º lugar e os olhos brilharem ante o brilho do ouro das medalhas, como em 1935.
Neste ato, fica o registro da homenagem do Centro Cultural de Veranópolis ao pioneiro no fabrico de gaitas da América, que neste ano comemora o centenário daquela iniciativa.
A harmonia de sua alma, fê-lo despertar o gosto pela música e a tocar gaita. Aos 25 anos, deu mais um passo: fez a primeira gaita de forma artesanal. E vê, 30 anos depois, seus filhos Fiorello e Ricardo montarem a Fábrica de Acordeões Veronese em Porto Alegre, onde vai dar o toque de qualidade.
O capitel
O Tulio Veronese foi vender gaitas em Antônio Prado, como fazia seguidamente: ia a cavalo, colocando uma gaita de cada lado e ele montado. Na volta, onde fica o Capitel, o cavalo se assustou e caiu com a traseira fora da estrada (é uma ribanceira). O Tulio chamou por Santo Antônio e se salvaram ao encontrar uma árvore de escora. Tulio comprou a estátua e deu ao Moro Brunetto para guardar até fazer o Capitel. Foram deixando e a casa pegou fogo. A estátua foi dos poucos pertences que não se queimaram. Entre 2 a 3 anos após o incêndio, construíram o Capitel. (informações prestadas por Darlei Piccoli, sobrinho de Tulio e pela  Sra. Lucy Veronese Arpini). Por Sergio Rigo

Redação ORIUNDI



4 comentários:

  1. Eu tenho uma guitarra veronese aqui em casa concerteza ela é de antes de 1980 pois cresci vendo essa guitarra na casa do meu tio... veio para minhas mãos em 1985 e já era velha!
    Anuar Mello

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  2. Olá Anuar, sua guitarra pode ser dos anos 70, seria interessante se você conseguisse saber em que ano seu tio a comprou ou se a sua guitarra possui algum selo com mais informações do fabricante.

    Um abraço!

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  3. Oi, Joelson
    Meu pai tem um instrumento que ele encomendou na década de 50 com o próprio Salmeron - que segundo ele, era paraguaio. Vou lhe enviar algumas fotos dos instrumentos. Eu tb tenho um violão dessa fábrica - não tão antigo...

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    1. Que boa informação Maia, se for possível envie as fotos para o meu e-mail ok? joelsonluthier@gmail.com

      Obrigado pela visita ao blog, um abraço!

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